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Cultura faz falta, sim senhora!

Foi Rosane de Oliveira, quem primeiro notou que faltava, entre os Programas Estruturantes, um voltado para a cultura.

SATED/RS - 04/06/2008

Foi Rosane de Oliveira, colunista de Zero Hora, quem primeiro notou que faltava, entre os Programas Estruturantes lançados pelo governo estadual, um voltado para a cultura. E sugeriu, com astúcia, a possibilidade de um projeto envolvendo as Oscips estar na agenda do governo para a área.

O Programa Estruturante Lisboa 2020, facilmente encontrado no Google (www.gestaoestrategica.ccdr-lvt.pt/files/274.pdf), define-o assim: "O conceito de projeto estruturante cobre um número restrito de projetos, suficientemente integrados e transversais, susceptíveis de explicitar as grandes prioridades estratégicas [que se definem] em função de sua dimensão de resultados, isto é, sua capacidade para produzir mudanças duradouras [grifo nosso] e sustentáveis na competitividade e na coesão territorial da região".

Ora, não se admite que a cultura não seja uma prioridade de governo, como conclui-se da leitura da apresentação dos Programas Estruturantes do Governo Estadual (www.estruturantes.rs.gov.br). No mínimo, a questão "estruturante" da cultura deveria ser tratada junto com a educação. É importante para uma educação de qualidade a existência de professores valorizados (Programa Estruturante Boa Escola para Todos), mas também a existência de bons museus, centros culturais e espaços extra-escolares para atividades de currículo. Esquecer ou minimizar a cultura num Estado de tradição como o RS é, no mínimo, uma falta grave.

Mas há algo pior aí. É o silenciamento profundo da classe cultural com relação a esta política. Produtores, gestores da cultura do Estado, profissionais, organizações de classe, em nenhum lugar se percebe um movimento de pressão para a inclusão de mais um "programa estruturante" ou, no mínimo, uma reforma nos atuais programas. É preciso dar a expectativa aos diretores de museus e centros culturais do Estado da possibilidade de apoio para suas instituições, que, como é sabido, vivem de parcos recursos financeiros e humanos.

Este silêncio é perturbador. Ele pode significar três coisas. A primeira é a surpresa: sim, estão todos boquiabertos com a clareza com que o atual governo minimiza a cultura gaúcha. A segunda é a desesperança: há muito tempo, todos nós, produtores culturais, perdemos a esperança na possibilidade da construção de instituições culturais sólidas em nosso Estado. A terceira é a ironia atroz: não há problema, porque nenhum dos programas estruturantes propostos um dia se realizará.

Fico com a idéia otimista de que o governo quer acertar. Os Programas Estruturantes de Lisboa têm algo para ensinar ao governo atual. Ali explicitou-se a idéia de que é necessário investir naquilo que produz mudanças duradouras nas regiões. Não me ocorre nada melhor para promover mudanças duradouras do que investimento na cultura, possibilitada pela valorização de nossos bens, memória e patrimônio cultural, que é riquíssimo. Ao menos, para mim. Ou estou enganado?

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